quarta-feira, 22 de julho de 2015

Racismo na atualidade

 
            Seres humanos melhores ou piores devido somente a cor de pele é um conceito antiquado e extremamente perigoso. Intelectuais do século XIX realizaram “pesquisas científicas” para o desenvolvimento de uma teoria sobre a superioridade das raças. Essa falsa teoria influenciou milhares de pessoas da época, incluindo Adolf Hitler e gerando o holocausto.
            Infelizmente essa mentalidade continua incrustada em nossa sociedade, em atos cotidianos e muitas vezes velado ou praticado inconsciente. “Fui a uma loja de brinquedos um dia e vi uma mãe mostrando uma boneca negra para a filha. Apesar da boneca ser uma gracinha a menininha falou para mãe ’Ah não mãe, eu não quero essa boneca negra, ela é feia! ’. Até a mãe ficou frustrada e eu fiquei perplexa por uma criança tão pequena ter um pensamento desse”. Relata Victoria Santos Sanches de 16 anos.
É óbvio que o racismo, assim como qualquer outro tipo de preconceito como homofobia ou machismo, se tornou mais condenável em relação a décadas atrás quando esses preconceitos eram vistos como normais ou até mesmo uma condição natural.
            Não podemos ignorar o passado. O racismo surgiu graças a escravidão, em uma situação na qual o negro essa visto como inferior, como mercadoria, obrigado a atender aos interesses de seus donos, brancos.  Com sua abolição os negros conquistaram apenas a liberdade constitucional, porém na realidade foram jogados na sociedade sem qualquer mecanismo ou possibilidade capaz de conecta-los a ela sem nenhuma diferença em relação aos brancos.
            Com o decorrer das décadas o ser humano aprimorou suas capacidades intelectuais, colocando em pauta assuntos nunca antes mencionados. No entanto em pleno século XXI ainda nos deparamos com uma sociedade racista, com salários inferiores para negros, xingamentos menosprezando os afrodescendentes apenas por sua cor de pele entre tantos outros fatos. No Brasil a cada R$ 10 disponíveis para o consumo neste ano no Brasil, R$ 4 estarão em poder de trabalhadores negros e pardos, porém eles representam 51% da população brasileira.
            Alice Fernandes Oliveira declarou “Uma vez uma menina, negra como eu, virou e disse ' Além de ser uma baleia ainda é uma macaca’ e nós estávamos na segunda ou terceira série, então eu vejo que esse preconceito começa a se manifestar mais forte, nessa época (na infância), e ai está o papel da família, da escola, dos amigos de tentar mudar a situação".
            No futebol por exemplo ao chamarem um jogador negro de macaco demostra toda uma cultura na qual o negro é visto como um animal (como no caso do jogador Daniel Alves) ou no caso mais recente sofrido pela Maju, jornalista do Jornal Nacional da rede Globo, no qual uma avalanche de comentários racistas a atingiu via internet. Sem contar os preconceitos não divulgados como quando se julga um negro como ladrão ou pessoa de baixa renda.
            Normalmente as discussões sobre etnias apenas são colocadas em pauta no momento no qual interfere na vida dos brancos. Um exemplo inquestionável são as cotas raciais. No entanto as cotas seriam totalmente desnecessárias e sem nexo caso os negros fossem tratados como iguais aos brancos, sem qualquer diferença desde a infância, ou seja, desde as escolas até a carreira profissional.
            Apenas um terço dos alunos matriculados em escolas particulares no Brasil, no ensino fundamental e médio, se consideram negros. Em comparação com as escolas públicas esses alunos totalizam 56,4%.
“Um caso nada agradável me ocorreu há alguns meses atrás e me deixou muito indignada. Fomos eu e meus pais em uma loja num shopping em SP (e assim como eu eles também são negros) e entramos para a sessão masculina olhar umas roupas. Conforme fomos andando pela loja, fui notando a presença constante do segurança atrás de nós, era apenas nos virarmos para um lado e ele virava, nos virarmos para outro e ele nos seguia. Cansada daquela situação minha mãe perguntou: escuta, você perdeu alguma coisa aqui e tá nos seguindo pra encontrar? O segurança com uma cara arrogante disse: Desculpa senhora, só estou fazendo o meu trabalho. Minha mãe para evitar confusão não falou mais nada e saímos da loja. Nunca mais falamos sobre aquele assunto, mas sempre me lembro e me perguntava o por que aquele segurança nos seguiu, e ainda disse que estava fazendo o seu trabalho, como se fôssemos potenciais ladrões. O que o levou a pensar isso? Nossas roupas? Nossas feições? Nosso modo de andar? Ou nossa cor de pele?" conta Carolina Tomaz de 16 anos.
Até quando os negros serão vistos como inferiores? Até quando esse assunto não será discutido? Os negros são iguais aos brancos porque não é a cor da pele mas sim o caráter que diferencia os seres humanos.
-Valery Helena
Bibliografia:



 
Fonte das imagens: Tumblr

 

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