Infelizmente essa mentalidade
continua incrustada em nossa sociedade, em atos cotidianos e muitas vezes
velado ou praticado inconsciente. “Fui a uma loja de brinquedos um dia e vi uma
mãe mostrando uma boneca negra para a filha. Apesar da boneca ser uma gracinha
a menininha falou para mãe ’Ah não mãe, eu não quero essa boneca negra, ela é
feia! ’. Até a mãe ficou frustrada e eu fiquei perplexa por uma criança tão
pequena ter um pensamento desse”. Relata Victoria Santos Sanches de 16 anos.
É
óbvio que o racismo, assim como qualquer outro tipo de preconceito como
homofobia ou machismo, se tornou mais condenável em relação a décadas atrás
quando esses preconceitos eram vistos como normais ou até mesmo uma condição
natural.
Não podemos ignorar o passado. O
racismo surgiu graças a escravidão, em uma situação na qual o negro essa visto
como inferior, como mercadoria, obrigado a atender aos interesses de seus
donos, brancos. Com sua abolição os
negros conquistaram apenas a liberdade constitucional, porém na realidade foram
jogados na sociedade sem qualquer mecanismo ou possibilidade capaz de
conecta-los a ela sem nenhuma diferença em relação aos brancos.
Com o decorrer das décadas o ser
humano aprimorou suas capacidades intelectuais, colocando em pauta assuntos
nunca antes mencionados. No entanto em pleno século XXI ainda nos deparamos com
uma sociedade racista, com salários inferiores para negros, xingamentos
menosprezando os afrodescendentes apenas por sua cor de pele entre tantos
outros fatos. No Brasil a cada R$ 10 disponíveis para o consumo neste ano no
Brasil, R$ 4 estarão em poder de trabalhadores negros e pardos, porém eles
representam 51% da população brasileira.
Alice Fernandes Oliveira declarou “Uma
vez uma menina, negra como eu,
virou e disse ' Além de ser uma baleia ainda é uma macaca’ e nós estávamos na
segunda ou terceira série, então eu vejo que esse preconceito
começa a se manifestar mais forte, nessa época (na infância), e ai está o papel
da família, da escola, dos amigos de tentar mudar a situação".
No futebol por exemplo ao chamarem
um jogador negro de macaco demostra toda uma cultura na qual o negro é visto
como um animal (como no caso do jogador Daniel Alves) ou no caso mais recente
sofrido pela Maju, jornalista do Jornal Nacional da rede Globo, no qual uma avalanche
de comentários racistas a atingiu via internet. Sem contar os preconceitos não
divulgados como quando se julga um negro como ladrão ou pessoa de baixa renda.
Normalmente as discussões sobre
etnias apenas são colocadas em pauta no momento no qual interfere na vida dos
brancos. Um exemplo inquestionável são as cotas raciais. No entanto as cotas
seriam totalmente desnecessárias e sem nexo caso os negros fossem tratados como
iguais aos brancos, sem qualquer diferença desde a infância, ou seja, desde as
escolas até a carreira profissional.
Apenas um terço dos alunos
matriculados em escolas particulares no Brasil, no ensino fundamental e médio,
se consideram negros. Em comparação com as escolas públicas esses alunos
totalizam 56,4%.
“Um caso nada agradável me
ocorreu há alguns meses atrás e me deixou muito indignada. Fomos eu e meus pais
em uma loja num shopping em SP (e assim como eu eles também são negros) e entramos para a sessão masculina olhar umas roupas. Conforme fomos andando pela loja, fui notando a presença constante do segurança atrás de nós, era apenas nos virarmos para um lado e ele virava, nos virarmos para outro e ele nos seguia. Cansada daquela situação minha mãe perguntou: escuta, você perdeu alguma coisa aqui e tá nos seguindo pra encontrar? O segurança com uma cara arrogante disse: Desculpa senhora, só estou fazendo o meu trabalho. Minha mãe para evitar confusão não falou mais nada e saímos da loja. Nunca mais falamos sobre aquele assunto, mas sempre me lembro e me perguntava o por que aquele segurança nos seguiu, e ainda disse que estava fazendo o seu trabalho, como se fôssemos potenciais ladrões. O que o levou a pensar isso? Nossas roupas? Nossas feições? Nosso modo de andar? Ou nossa cor de pele?" conta Carolina Tomaz de 16 anos.
Até quando os negros serão vistos como inferiores? Até quando esse assunto não será discutido? Os negros são iguais aos brancos porque não é a cor da pele mas sim o caráter que diferencia os seres humanos.
-Valery Helena
Bibliografia:
Fonte das imagens: Tumblr


Muito bom... Gostei do seu texto !!
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